Voltar à Página da edicao n. 523 de 2010-01-26
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      Edição: 523 de 2010-01-26   Estatuto EditorialEquipaO Urbi ErrouContactoArquivo •  
Um conjunto de documentos antigos foi recuperado pelo Museu de Lanifícios e faz agora parte da história dos têxteis

Museu recupera colecção de tecidos

Um dos mais antigos acervos documentais das fábricas têxteis da região está agora a ser recuperado pelo Museu de Lanifícios, na UBI. Trata-se de um catálogo pertencente a uma empresa de Manteigas e inclui documentação do final do século XIX e início do século XX.

> Eduardo Alves

Um conjunto de dossiers sobre vários tecidos fabricados em Manteigas fazem parte de um dos mais recentes espólios industriais recuperados pelo Museu de Lanifícios. Largas dezenas de pastas que foram recuperadas das instalações da antiga fábrica Matos e Cunha, na localidade serrana e que dão conta da forma como se produziam os tecidos naquela época.
A história desta colecção vem de há vários anos quando a directora do museu, numa das suas visitas pelas fábricas da região, tomou conhecimento destes documentos e identificou o seu valor patrimonial. Embora em 1992, a estrutura fabril estivesse já a encerrar as suas portas e a colecção de amostras perdida no meio de móveis velhos “os proprietários adiaram a entrega ao museu.
Elisa Pinheiro, directora do espaço museológico que alberga hoje um centro de estudos recorda que a forma pensada para salvaguardar a colecção “passava pela criação de um núcleo museológico em Manteigas”. A localidade serrana, onde a indústria têxtil marcou uma forte presença, conta com um conjunto significativo de imóveis e máquinas que “era interessante recuperar”. Nesse sentido, o museu “prestou toda a colaboração ao projecto”. Elisa Pinheiro lembra que, no caso da criação de núcleo museológico, “deveria ser valorizado o papel da pastorícia e de um conjunto de equipamentos industriais, de entre os quais ganha destaque uma máquina a vapor e também dois lavadores de lãs”.
Contudo, a ideia do núcleo acabou por ser abandonada e os documentos ficaram também pelas instalações fabris. Apenas no início de Maio do ano passado o museu teve luz verde para resgatar tudo o que fosse de interesse no antigo imóvel fabril. Elisa Pinheiro sublinha que a prioridade foi para a colecção de amostras de tecidos. Por entre as várias centenas de fábricas que a directora do Museu de Lanifícios da UBI visitou em toda a Beira Interior “nunca tinha visto nada assim”. Trata-se de toda a documentação referente ao fabrico de tecidos, numa unidade têxtil, “catalogados e com várias informações vitais e de um período bastante distante”.
Depois de um longo processo de desinfecção dos documentos, todos os dossiers estão agora a ser devidamente limpos e catalogados. Um trabalho exaustivo cujo resultado irá depois estar disponível no Centro de Documentação Arquivo Histórico. Nesta estrutura estão também guardados alguns dos mais importantes documentos sobre a indústria têxtil na Covilhã. A “jóia da coroa” deste centro de documentação continua a ser a colecção doada pela família de Réne Ferdinand Delimbeuf. Mais de 35 mil amostras têxteis que vão desde 1936 a 1963, desenhando décadas de trabalho deste engenheiro têxtil.
A responsável pelo museu lembra ainda que se está a trabalhar para a colocação dos principais dados numa plataforma informática. Um objectivo que tem vindo a ser feito a médio prazo e que vai permitir a qualquer interessado consultar, através da Internet, as principais informações do centro de documentação. Para já, o espólio foi aumentado com a vinda de mais uma colecção. Uma história semelhante a muitas outras que trouxeram materiais para este museu.
Elisa Pinheiro sublinha a importância da consciencialização das pessoas para a preservação patrimonial. No entender da directora do museu, “muitas vezes, não existe apenas alguma insensibilidade em relação a este património, mas também, uma certa desvalorização”. A responsável pela estrutura museológica e uma das principais autoridades na história da indústria têxtil esclarece que “as pessoas trabalharam muito com determinados objectos, com máquinas, com livros e aquilo fez parte de uma rotina. Tendo acabado esta actividade que existiu aqui ao longo de décadas, ou por amarguras ou por esquecimento, este tipo de património não é tão valorizado”.
O museu tem vindo a recuperar peças únicas da proto-industrialização e da industrialização, contando hoje com mais de cem mil peças e com um vasto espólio arqueológico a que se junta um grande acervo documental.


Um conjunto de documentos antigos foi recuperado pelo Museu de Lanifícios e faz agora parte da história dos têxteis
Um conjunto de documentos antigos foi recuperado pelo Museu de Lanifícios e faz agora parte da história dos têxteis


Data de publicação: 2010-01-26 00:11:48
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